Santa Casa em Foco – Artigo/As Santas Casas pedem socorro

Artigo publicado no jornal O Popular em 16/04/22

As Santas Casas pedem socorro

Na terça-feira, 19, a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia e Santas Casas de todo o Brasil vão suspender os atendimentos eletivos. Não é uma paralisação, mas um pedido de socorro!

Pedimos socorro para podermos continuar salvando vidas e garantindo a assistência de alta complexidade a mais de 70% dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), que dependem de cirurgias cardíacas, vasculares, neurológicas, ortopédicas e outras mais para as quais só encontram esse atendimento nas Santas Casas.

Essa não é a primeira vez nos 85 anos da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia que clamamos por ajuda. Mas, se nada for feito, poderá ser a última.

Isso porque, sem excessos, enfrentamos a pior crise da nossa história e corremos o risco de cerrar as portas por total incapacidade financeira, pois as contas não fecham e estamos nos endividando cada dia mais para suprir a falta dos recursos que não chegam do poder público.

A tabela do SUS, nossa principal fonte de pagamento já que 95% de nossos pacientes dependem do Sistema, precisa ser revista com urgência. Uma consulta médica a R$ 10,00 é inconcebível. E esse é apenas um exemplo.

Sofremos também com atrasos nos pagamentos, já defasados. O Governo Federal repassa os recursos à Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia 60 dias após a prestação dos serviços. Essa, por sua vez, tem atrasado os pagamentos aos prestadores.

Amargamos ainda pesados reajustes de medicamentos. Teve produto que saltou de R$ 1,90 para R$ 245,00 na pandemia e temos que manter os estoques em dia para não prejudicar a assistência aos pacientes.

Hoje, o que temos visto é uma profunda inversão de papeis. As Santas Casas, com empréstimos bancários e seus juros  e com o apoio da sociedade civil, que tem nos ajudado com doações, estão cofinanciando o SUS.

Estamos cumprindo o papel de financiamento da saúde, que deveria ter como protagonistas as três esferas de Governo: União, Estados e Municípios.

Não bastasse a discrepância entre nossas receitas e despesas, ainda poderemos ter esse custo aumentado expressivamente caso o projeto de lei que trata do piso salarial dos profissionais de enfermagem seja aprovado.

Reconhecemos e defendemos o direito da enfermagem e de todas as categorias da saúde serem bem remuneradas, mas a aprovação do novo piso consumiria todo o volume atual destinado à folha de salários de em torno de 900 colaboradores da nossa Santa Casa.

Apenas em 2021, na Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, realizamos mais de 40 mil consultas, 4,5 mil cirurgias e 10 mil internações. E não queremos parar. Nossa missão é salvar vidas e queremos cumpri-la, mas para isso, precisamos de ajuda! Salvem a Santa Casa para que possamos continuar cuidando de quem precisa.

*Irani Ribeiro de Moura é médica e superintendente geral da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia

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