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Reportagem relata como a fé dos profissionais de saúde ajuda no atendimento aos pacientes

A última edição (360) do Jornal Encontro, informativo da Arquidiocese de Goiânia, traz relatos de fé de profissionais de saúde durante este tempo de pandemia. Foram entrevistados o médico intensivista e superintendente técnico da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, Pedro Ivandosvick, a médica pneumologista Marília Camelo Bueno e o encarregado dos condutores da Santa Casa, Tarcísio Pereira Alves. Confira a reportagem e os depoimentos de cada um, enfatizando a importância da fé.

Relatos de fé dos pro­fissionais de saúde que atuam na linha de frente no combate ao coronavírus

No Brasil já temos mais 355 mil mortes em decorrência do coronavírus. Só em Goiás, já passamos de 13 mil vidas perdidas, de acordo com os dados oficiais do Ministério da Saúde. Em todo o país, mais de 13,5 milhões de pessoas foram infectadas. Pensando nesses números e em todo o contexto social que a covid-19 trouxe, como será que está a fé dos profissionais da saúde que lidam diuturnamente com essa doença que é tão nova?

A médica Pneumologista, Marília Camelo Bueno Uehara, tem nove anos de profissão. De acordo com ela, a pandemia trouxe em um primeiro momento a sensação de medo entre os profissionais de saúde, por se tratar de uma patologia nova e, por isso, sem muitas informações sobre ela. “Me pegou de surpresa, fiquei assustada, um pouco temerosa de como eu iria lidar com esses pacientes”, explica. Diante dessa situação, para se manter firme e otimista, a médica direcionou sua confiança a Deus. “A fé me ajudou no enfrentamento das dúvidas e dos medos”, disse ela.

Marília Camelo Bueno ressalta que com a fé ela pode ver que apesar da pandemia, ainda existem aspectos positivos no horizonte. “A fé me ajuda ter esperança, empatia e solidariedade. Com a minha fé, eu consigo passar para os meus pacientes conhecimentos que vão além dos científicos. Consigo trazer paz”. A médica relata ainda que sua espiritualidade a ajudou em um momento muito sensível. Apesar de ser parte da sua rotina lidar com pacientes em estado grave, ela se viu abalada quando seu tio, que também é seu padrinho, foi infectado gravemente pela doença. Nesse momento ela sentiu ainda mais o quão grande é a responsabilidade da sua profissão e o quanto é importante crer em Jesus. “Esse momento para mim foi muito sofrido, porque naturalmente deixamos de ser técnica e passamos a ver o lado da família, embora a empatia esteja sempre presente. Quando é um ente nosso, contudo, é mais difícil de conduzir a situação”.

Em seu dia a dia profissional, a pneumologista comenta como leva o evangelho aos pacientes que ela atende. “A gente nem precisa falar diretamente da palavra de Deus ou em Deus para o paciente. Os pacientes já veem Deus no nosso comprometimento, na nossa entrega diária. Eu consigo evangelizar através das minhas ações”.

Já o médico intensivista, Pedro Ivandosvick, diz que a pandemia do coronavírus colocou todo o seu conhecimento à prova. Ele foi infectado duas vezes pela doença, a primeira em agosto de 2020 e a segunda agora no início de abril, da qual ainda se encontra em recuperação. “A fé é uma ferramenta muito poderosa… acreditar que Deus é nosso guia nos traz força e resiliência para enfrentar esta pandemia tão devastadora!”, comenta ele.

Segundo Ivandosvick, a fé é essencial no trabalho. “A fé em Deus me proporciona a resiliência necessária para o enfrentamento da morte, das várias perdas, mas também nos enche de alegria e esperança quando vemos vários pacientes se recuperando, retornando às suas famílias”. Desta maneira, ele tenta também passar esse amor de Jesus para seus pacientes. “Em todos os meus contatos com os pacientes procuro levar alegria, palavras de amor! Sempre abordo a força divina para que eles se sintam amparados e certos de que a vontade de Deus é suprema”, explica.

Para aqueles colegas de profissão que se encontram desanimados, o médico deixa a seguinte mensagem. “Parem por um instante, roguem a Deus pela sua misericórdia! Um momento de oração diário recarrega nossas energias, reconforta nossos corações. Cuidem-se, usem máscaras, cuidem de seus familiares, mas, principalmente, cuidem de sua alma… rezem mais, estejam em sintonia com Pai sempre que puder”, conclui.

EVANGELIZAR

Há 16 anos trabalhando na Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, o encarregado dos condutores (maqueiros), Tarcísio Pereira Alves, também atua na linha de frente ao combate do coronavírus, ele geralmente tem contato com o paciente desde sua internação, até o final de seu tratamento. Tarcísio já viu diversas pessoas tendo sua páscoa definitiva. Ele, que iniciou sua carreira no hospital como porteiro, conta que a chegada da doença no meio hospitalar pegou todos de surpresa e o primeiro sentimento a se instalar foi o medo.

O encarregado também foi infectado no auge da primeira onda, momento em que pouco ainda se conhecia sobre a doença. “Quando testei positivo foi uma surpresa, eu pensei que essa seria como foram as outras epidemias, como H1N1. Só que eu vi que era algo mais grave, eu pensei que tinha saúde para passar por isso”, lembra ele. Nos dias em que precisou ficar em isolamento, Tarcísio Pereira narra que foi o momento em que sentiu que Deus tocou seu coração. “Diante de toda essa situação, a minha fé me levou até onde eu nunca havia me dado a oportunidade”.

Em casa, Tarcísio começou a meditar a palavra do Senhor. “A passagem a qual mais me tocou foi aquela que Jesus está na barca descansando, o mar agitado, os ventos fortes e os discípulos ali com medo, assustados, até que eles foram pedir ajuda para Jesus. Nessa passagem a resposta de Jesus me tocou bastante, ele falou: ‘Por que tanto medo, homens de pouca fé?” (Mt 8,26). Para ele, essa passagem foi um divisor de águas. “Eu senti Deus tocando na minha vida profundamente”.

Depois disso, o encarregado teve a iniciativa de evangelização através da música, que ocorre duas vezes na semana durante um momento de oração dentro da Santa Casa de Misericórdia. “Na segunda-feira fazemos o momento de oração dentro da ala de cardiologia e na sexta-feira dentro da ala de oncologia, mas nesse momento conseguimos atingir outros andares, pois a área é aberta”. Ele ressalta que já existia um coral dentro do hospital, que se apresentava em datas comemorativas, mas que devido a pandemia, precisou parar. “Hoje, nesses dias de oração, eu vou passar pelos leitos com meu violão, como se fosse uma serenata ao pé da janela”, explica ele.

Tarcísio Pereira se lembra do testemunho mais marcante dessa ação. “Uma pessoa que estava na UTI, entubada, quando recebeu alta, veio me falar que me ouviu cantando. Então, eu sei que eu consigo evangelizar e levar Deus até mesmo àquelas pessoas que se encontram em estado mais grave. Eu digo que a música é a principal arma que eu tenho para ajudar na recuperação dos pacientes”.

A pandemia afetou a todos de alguma forma. Alguns profissionais da saúde perderam entes queridos. Tarcísio compartilha ainda uma mensagem que ele dirige a seus companheiros de trabalho. “Nós precisamos ser fortes porque outras precisam do nosso trabalho, do nosso sorriso, das nossas palavras, das nossas atitudes. Tudo que nós fazemos, pensamos, falamos e ouvimos, serve para ajudar alguém. Então não se entregue, coloque quem partiu nos braços de Deus e continue sendo forte para aqueles que ainda estão aqui”, finaliza ele.

Fonte: Jornal Encontro|18 de abril 2021

Texto: Suzany Marques

[19/04/21]

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